quarta-feira, 9 de julho de 2014

Quem ganhou e quem perdeu

Estimados leitores,boa noite!

Depois de todos os olhares da mídia hipócrita e mentirosa se voltarem ao Brasil de modo lindo e evidenciando todos os pontos  turísticos, a boa comida e a gentileza  do povo a farsa acabou. após a "derrota" sofrida no jogo contra a Alemanha agora todos se voltam de forma dura a realidade da qual nos convém.

O sonho acabou pra todos os brasileiros que sonhavam com o Hexa, acabou pra todos aqueles que acreditavam que existe verdade no futebol e acabou principalmente pra quem achou que iria lucrar muito. Embora ainda não tenha terminado a Copa serviu bem pra mostrar quem manda e desmanda.
E em meu ponto de vista apesar de sermos os donos da casa, não somos os donos da festa e muito menos a atração principal. Os gastos investidos jamais serão recuperados, e muito menos as vidas que se foram durante as construções dos estádios que simplesmente não contaram para os dirigentes em questão.

Agora a vida segue, um pouco mais triste para os fanáticos de plantão que gastaram o que não tinham pra comprar os ingressos e se endividaram. A vida segue dolorosa para os que amargam nos leitos hospitalares sabendo que podiam sim ao menos ter um atendimento médico decente no país da copa e no entanto não tem, por que uma das principais razões é a falta de dinheiro. A vida segue para aqueles que todos os dias tomam banho de caneca por que pagam sua conta de água mas a torneira está seca.

Enfim a lista vai  longe por isso termino por aqui e deixo claro que não estou triste por termos perdido a copa, nunca gostei de futebol respeito quem gosta. O que mais me deixa triste é ver como as pessoas se deixam levar, como uma nação inteira pode receber de braços abertos algo que apenas serviu pra trazer dor e lamento (Pra quem quiser recordar vide post sobre as desapropriações por conta da copa nas cidades sedes do mundial).

Obrigada beijos da Pri!
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Quem ganhou e quem perdeu
bola Navalhada do dia
Por:  Heródoto Barbeiro

Ganharam os cartolas que vão manter o domínio da CBF.
Ganhou a FIFA que vai levar os seus bilhões sem pagar um tostão de imposto.
Ganharam as empreiteiras que pegaram dinheiro público para construir os elefantes brancos.
Ganhou o Blatter que vai continuar no comando apesar das acusações de corrupção.
Ganharam os jogadores que vão voltar para os seus carrões e mansões na Europa.
Ganhou o técnico que foi  o segundo maior garoto propaganda da Copa.
Ganharam as empresas de cosméticos pintaram os cabelos dos jogadores de loiro.
Ganhou a fábrica de chuteiras que fabricou as douradas.
Ganharam as celebridades que saíram com ou sem roupa em todos os lugares possíveis.
Perdeu o povo brasileiro que acreditou no marketing e agora cai na real.



sábado, 10 de maio de 2014

Por que a medicina pode levar você à falência(Por:CRISTIANE SEGATTO)

O atendimento médico privado prolonga a vida como nunca. Isso pode significar a morte financeira das famílias abandonadas pelos planos de saúde. É possível curar esse mercado doente?

 Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA

Quanto vale o ar que chega aos pulmões a cada inspiração? Ninguém pensa nisso enquanto respira, naturalmente, 25 mil vezes ao dia. É uma pergunta irrelevante na saúde – e crucial na doença. Por 24 horas de oxigênio, os melhores hospitais privados de São Paulo chegam a cobrar R$ 3 mil. Essa é só uma das preocupações da oftalmologista S.L., de 31 anos. Ela pertence a uma família de médicos que, há dois anos, vive um drama, em silêncio, num dos mais respeitados centros de saúde do país – o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

S.L. não roubou. Não matou. Não feriu os bons costumes. Ainda assim, esconde o rosto. Para quem se orgulhava de manter as finanças em dia, a cobrança é constrangedora. S.L. deve cerca de R$ 5 milhões. Foi processada pelo Einstein por não pagar uma conta impagável. Sua contravenção foi acompanhar o pai e assinar o documento de internação quando ele decidiu se submeter a uma cirurgia que tinha tudo para dar certo. No início de 2012, a família vivia uma vida confortável em Assis, interior de São Paulo. Seu pai, o médico H.L., era dono de uma clínica de oftalmologia. Aos 60 anos, ele decidira se submeter a uma troca de válvula cardíaca quando um exame revelou que ela não funcionava bem. O procedimento foi planejado com calma. H.L. escolheu o mesmo cirurgião que o operara, com sucesso, alguns anos antes no Albert Einstein. O plano de saúde – a Unimed de Assis – não oferecia cobertura naquele hospital. Segundo o orçamento emitido, a operação custaria R$ 120 mil. A Unimed aceitou fazer um reembolso de R$ 60 mil. O paciente pagaria o restante em dez parcelas.

O orçamento compreendia oito diárias de hospital. Segundo a previsão médica, após esse período, H.L receberia alta. Ele entrou no centro cirúrgico e nunca mais saiu do Einstein. Foi vítima de uma complicação pouco frequente. A artéria aorta se rompeu. Com pouco oxigênio, seu cérebro sofreu uma lesão permanente. H.L. não fala e não se mexe. Olha e pisca. “Tenho a sensação de que, às vezes, o cérebro dele conecta e, logo depois, desconecta”, diz a filha. “Em alguns momentos ele parece entender o que digo. Em outros, não.” Sem poder contar com os rendimentos dele, a família fechou a clínica de Assis, demitiu os funcionários, vendeu carros e equipamentos médicos.

 A conta cresce a cada dia. Cobranças chegam quase todo mês. Boletos de R$ 180 mil, R$ 250 mil, R$ 300 mil brotam sob a porta do apartamento, como se fossem contas de água e luz. Quando a cobrança chega, S.L. abre o envelope, espia o valor e joga a carta na gaveta de boletos do hospital. Foi preciso esvaziar uma gaveta inteira do guarda-roupa para acomodar as cobranças. A aparente indiferença esconde uma dor moral. Para os honestos, a inadimplência pode ser devastadora. S.L. recorreu aos antidepressivos para tentar suportar a ausência do pai e a falência da família. Com o nome registrado no cadastro nacional dos maus pagadores, ela não pode abrir conta em banco, nem sonhar com um financiamento imobiliário. Quando o oficial de justiça bate à porta do prédio para entregar uma nova intimação, a fofoca circula entre os vizinhos. S.L. encolhe os ombros. “Sinto vergonha. Uma vergonha enorme de algo que não fiz.”
S. L. (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
 

Nos tribunais, o destino das famílias falidas
A história de S.L. não é um caso isolado. Nos Tribunais de Justiça do país, centenas de famílias falidas em decorrência de tratamento médico são processadas pelos hospitais. Devem o que não têm, ou valores equivalentes ao patrimônio familiar construído ao longo da vida. São cobranças de R$ 600 mil, R$ 750 mil, R$ 1,5 milhão, R$ 5 milhões. As contas não são apenas impagáveis. São excessivamente detalhadas e incompreensíveis. É impossível avaliar a coe­rência dos valores cobrados. Qual o preço justo de um par de luvas cirúrgicas? E das agulhas hipodérmicas com dispositivo de segurança, na espessura Y, do fornecedor Z? Por que o soro fisiológico custa o dobro do preço cobrado na farmácia da esquina? Como as taxas de materiais e procedimentos são definidas? Como compará-las aos hospitais de mesmo porte?

Todo mundo sabe quanto custa um iPad, uma Ferrari ou um pacote de sabão em pó. Se não sabe, pode descobrir com um simples clique. Bem diferente do que acontece na saúde. Quando está em jogo aquilo que existe de mais precioso – a vida –, o consumidor não encontra instrumentos para exercer seu poder de decisão. Exauridas financeira e emocionalmente, as famílias que recebem contas astronômicas tentam comparar os valores cobrados por medicamentos de baixo custo e materiais básicos com os preços encontrados no varejo. Os hospitais argumentam que essa é uma comparação esdrúxula, porque os custos da assistência numa instituição de alto nível são superiores aos da farmácia da esquina. É um parâmetro imperfeito, sem dúvida. Ainda assim, no obscuro mercado da saúde, é o único disponível ao cliente.

 Nos últimos meses, ÉPOCA seguiu os passos de famílias arrasadas por um duplo infortúnio: uma doença grave e a falência financeira decorrente dela. Analisou as cobranças recebidas por pacientes particulares de hospitais de alto nível: Albert Einstein, Sírio-Libanês e Samaritano, todos na capital paulista. Comparou os valores de insumos e medicamentos básicos com os preços praticados em farmácias e sites de materiais cirúrgicos. Grandes diferenças apareceram. Em março de 2012, o Einstein cobrou da família de H.L R$ 150 por 100 unidades de luvas de procedimento não estéreis. Dois anos depois, ÉPOCA comprou o mesmo item por R$ 30,66 no site da Drogaria Onofre. Em julho de 2012, o Sírio-Libanês cobrou R$ 5,91 por um frasco de 500 mililitros de soro fisiológico 0,9%. Vinte meses depois, ÉPOCA comprou o mesmo produto por R$ 3,20. Em abril de 2011, uma cliente do Samaritano pagou R$ 12,92 por um frasco de 30 mililitros de Rinosoro. Três anos depois, ÉPOCA comprou o mesmo medicamento por R$ 6,88. Os exemplos estão distribuídos ao longo desta reportagem. Procurados por ÉPOCA, os hospitais preferiram não comentar as diferenças encontradas em cada item. A falta de critérios claros para definir preços, que confunde as famílias e esgota economias, afeta todo o sistema de saúde. A indefinição sobre o valor dos produtos e dos serviços contribui para o aumento dos custos. A sociedade gasta mais dinheiro sem, necessariamente, ganhar mais saúde. ÉPOCA pesquisou processos movidos contra pacientes e entrevistou dezenas de especialistas para tentar entender como essas distorções afetam o país. O resultado da investigação é nossa contribuição para o debate informado de um dos temas mais urgentes da sociedade brasileira.

domingo, 4 de maio de 2014

Micróbio de mãe

Por: Lucas Mendes



Consulta de rotina: quais alimentos estão hoje na lista dos envenenados e proibidos?

A carambola é uma surpresa para mim.

Quando era garoto subia no pé e comia carambola enquanto via a tia do amigo tomando banho. Fruta maravilhosa. Agora aparece como veneno para quem tem qualquer fragilidade renal. Nos Estados Unidos ela se chama star fruit e vem da China.

Há a lista básica de "venenos", proibidos para qualquer tipo de rim: pipoca de micro-ondas, margarina em cubos, tomate em lata, molho de salada engarrafado, todas as barras de energia e maçãs não orgânicas. Ameaças da cabeça aos pés.

Sobre alimentos, venenos, bactérias, arqueobactérias, fungos, micróbios, vírus, algumas novidades surpreendentes estão no livro do Dr. Martin Blaise, o "homem micróbio", diretor do Programa do Microbioma Humano da New York University.

Ele estuda um universo de trilhões de microorganismos que vivem dentro de nós e representam 90% das nossas células, quase dois quilos de bichinhos.

Missing Microbes, ou Micróbios Desaparecidos, é o título do livro que examina porque, nos últimos 70 anos, aumentaram doenças como asma, alergias, diabetes, obesidade, colites ulcerosas e a doença de Crohn. Os suspeitos são duas grandes conquistas do século 20: os antibióticos e as cesarianas.

Os efeitos negativos dos abusos de antibióticos já estão há um bom tempo na mira da ciência e da imprensa. MRSA (a sigla inglesa para Staphylococcus Aureus Resistente à Meticilina) é uma doença infecciosa provocada por uma bactéria resistente a qualquer antibiótico e mata 19 mil americanos por ano, mais do que Aids. Há uma nova tuberculose não menos resistente a antibióticos.

No laboratório, o Dr. Blaise alimentou ratos com comida gordurosa. Engordaram. Acrescentaram antibióticos e os ratos ficaram obesos. Ele concluiu que o antibiótico potencializa o efeito da gordura.
Os efeitos da cesariana são menos conhecidos. Blaise conta que o momento decisivo na vida do bebê é quando as membranas se rompem, a bolsa de água estoura e o bebê começa a sair numa viagem única, intensa, dramática.

Nela, o bebê é exposto às primeiras bactérias do mundo, as da mãe, que estão no canal de saída. Durante o trabalho de parto, os bebês se banham e engolem o "suco" de micróbios vaginais da mãe, um poderoso esterilizante.

O médico cita quatro estudos comparativos de bebês que nasceram de partos normais e através de cesarianas. Foram feitos em Boston, Londres, Canadá e Brasil. Bebês que nasceram em partos convencionais têm o microbioma das mães e são mais sadios. É impossível identificar os microbiomas dos cesarianos, mas eles são mais frágeis.

Maria Gloria Rodrigues e Robin Knight hoje pesquisam três tipos de bebês. Os de partos naturais, os cesarianos e os cesarianos que receberem uma colher do "suco" vaginal. Os resultados vão sair no próximo mês.

Dr. Blaise, homem avesso aos abusos dos antibióticos, vê futuro nos probióticos, centenas de produtos que vão reforçar nossos exércitos de bons micróbios, bactérias, fungos, etc..., mas desconfia dos que estão hoje nas prateleiras, porque não há nenhum tipo de controle. É só uma questão de tempo.

Um dia alguém produzirá "sucos" vaginais milagrosos, sob medida, com os micróbios das mamães.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Piada de Páscoa: o povo mais preguiçoso do mundo acusa brasileiro de ser vagabundo

Por: Nirlando Beirão


The Economist, a revista que se diz radical de centro mas que na verdade é porta-voz da direita financista, publica nesta edição ampla matéria acusando o brasileiro de ser preguiçoso.
“50 anos de letargia” é o título do texto (a imagem é de alguém deitado numa rede).

Diz que nossa economia só vai voltar a crescer quando o trabalhador brasileiro “sair da letargia”. Compara com o desempenho de chineses e indianos com base num índice de produtividade “estagnado desde os anos 60”.

Claro que o texto do Economist soa como música aos ouvidos daqueles adeptos do darwinismo social – que não são poucos, aliás – prontos para botar no povão a conta de todos os nossos males e nossos atrasos.

Uma cantilena que vem da escravatura: nossa elite operosa e culta sendo obrigada, coitadinha, a conviver com a indolencia, a malemolencia, a malandragem do populacho.

Essa ralé que só pensa em sexo, samba e futebol.
O que The Economist faz é reproduzir um tremendo estereótipo que, no entanto, encanta muitos dos próprios brasileiros e que tem obviamente como gancho oculto a Copa do Mundo. Sem paranoia: por causa da competição que se aproxima, está todo mundo de olho no Brasil e ninguém vai aliviar a nossa cara.

Vai ser um prato cheio para quem está louco, aqui ou lá fora, para requentar aquele nosso velho complexo de vira-lata. Se temos a sétima economia do mundo, e logo chegaremos a ser a sexta, deve ser por sortilégio divino – não pelo trabalho de nossa gente.

Chegaremos a sexta economia, logo, logo, eu disse – em cima sabe de quem? Do Reino Unido. Dor de cotovelo é mesmo péssima conselheira.

The Economist prima pela hipocrisia: nenhum povo no mundo trabalha menos do que os ingleses (recente paper da London School of Economics sugere uma carga horário seminal de 20 horas, para diminuir o desemprego). Eles são hoje 2,5 milhões de sem-trabalho. Adoram um feriado e um expediente camarada.
Foram os inventores da instituição do bridge – ou ponte, o feriadão prolongado.

Mais da metade da população se encosta em algum tipo de muleta oferecida pelo governo (previdencia social, seguro desemprego, etc). E nós é que somos vadios!
De mais a mais, o país do The Economist tem grande apreço por seus desocupados históricos: a realeza.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Por que a 'geração selfie' não consegue emprego nos EUA?

Meus estimados Leitores(a) mais uma vez quero agradecer a todos vocês que diariamente prestigiam este blog com vossa presença!
A nota a seguir trata-se de um problema antigo que conhecemos a muito tempo aqui em terras tupiniquins, e só para recordar não é de agora que venho mostrando a vocês o quanto está cada vez mais parecida  á nossa realidade , á atual situação dos Nortes Americanos.
Pri:-)
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Muitos nos Estados Unidos comemoraram as estatísticas, recém-divulgadas, indicando que o desemprego no país se manteve em 6,7%, mas o cenário ainda é preocupante para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.

A taxa de desemprego para pessoas entre 20 e 24 anos chegou a 12,2%, enquanto para aquelas com 16 a 24 anos bateu em 14,5%.

Má reputação

Quem faz parte desta geração costuma ter uma má reputação. Diz-se que eles são "incapazes de desenvolver seu potencial e viciados em redes sociais e nas autorretratos conhecidos como 'selfies'", escreve Seth J. Carr no jornal Chicago Tribune.
Mas apesar da mania por "selfies", há outras razões para estes jovens estarem sem emprego.

Estar desempregado não é uma escolha para muitos deles, segundo Tim Donovan, do site Salon. Nesse grupo, há muitos "jovens pobres, com pouca educação e quase sempre de minorias" que não conseguem arrumar emprego.

Rachel Lu, professora de Filosofia da Universidade Saint Thomas, escreve no The Federalist que os pais dos jovens desta geração - nascidos durante o boom demográfico do pós-guerra - aconselham seus filhos a ir atrás de seus sonhos e aproveitar as oportunidades de autossuperação em vez de "estabelecer raízes".

"O principal objetivo destes novos adultos de hoje em dia é aperfeiçoar-se", diz a pesquisadora. "Supõe-se que as responsabilidades em relação a outras pessoas farão parte de suas vidas só mais tarde."

Lu acredita que não é certo colocar toda a culpa nestes jovens. A economia
americana atual não está em marcha lenta por causa deles.

Em seu blog na American Interest, Walter Mead comenta que esses jovens adultos precisarão se ajustar. Eles "pensam que podem ficar sentados sem fazer nada até que o governo e a economia lhes ofereça um posto de trabalho".

"Não é como o mundo funciona hoje. Em meio ao redemoinho da nova economia da informação e de serviços, eles terão que criar seus próprios empregos se quiserem trabalhar", afirma Mead.

Empresa própria

É provável que isso seja algo positivo, já que grande parte desses jovens terá que enfrentar uma batalha ladeira acima para encontrar um emprego estável tradicional.

Um estudo realizado pela emprega de Recursos Humanos Adecco descobriu que as chances de esses jovens serem contratados por empresas são três vezes menores em comparação com trabalhadores mais experientes, considerados mais "responsáveis" e "profissionais".

Muitos jovens adultos estão optando por aventurar-se na criação de uma empresa própria, por exemplo criando programas de computador e celulares, porque acreditam que ter um trabalho com um propósito maior é melhor do que ter um emprego que não lhes traz satisfação.

Isso não é sinal de preguiça, escreve Zachary Karabell para a revista Atlantic, mas uma "evidência de que se trata de uma geração de universitários recém-formados que não aceita qualquer coisa, o que é bom para o nosso futuro".

Outras pessoas consideram pouco realista esse desejo dos jovens de ter seu próprio negócio ou esperar pelo emprego perfeito. A geração Y tem que aceitar um lugar de trabalho tradicional, escreve Jewelyn Cosgrove, do Policy Mic:
"Muitos destes jovens tem dependido de trabalhos freelancer para sobreviver durante a crise econômica. Essa geração, na qual me incluo, se esquece do valor das habilidades obtidas em um ambiente de trabalho tradicional."

Mesmo que Cosgrove pense que estes jovens estejam mal preparados para enfrentar a economia de hoje, ela não perdeu completamente a fé neles: "Temos sido pisoteados e caluniados pelos meios de comunicação, mas mantemos nossa esperança".


Fonte: BBC

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os perigos da modernidade

Uso excessivo de dispositivos de tela plana pode provocar danos aos olhos


Pessoas que passam muito tempo "vidradas" em seus smartphones podem estar aumentando os riscos de danos aos olhos, advertem oftalmologistas britânicos.  O alerta inclui também o uso de outros dispositivos como computadores, tablets e TVs de tela plana, que podem provocar danos de longo prazo.

Oftalmologistas afirmam também que, apesar da "boa" luz azul (azul turquesa) ser necessária para ajudar a regular o relógio biológico, acredita-se também que uma longa exposição à luz azul violeta pode afetar os padrões de sono e o humor.

"Embora não tenhamos certeza se há uma ligação direta entre essa exposição e problemas oculares, há fortes evidências de laboratório que podem, potencialmente, provar isso", dizem os médicos "É a combinação de não piscar o suficiente e colocar o dispositivo a uma distância menor do que você normalmente colocaria outros objetos. Isso força a vista." Fica a dica.
 Centro Oftalmológico

domingo, 6 de abril de 2014

DEFICIT DE PROFESSORES NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO

Enquanto os olhos dos nossos governantes estão atentos a tudo que está relacionado a Copa, as prioridades do país estão deixadas de lado. É uma lastima o quanto padecemos e assim permanecemos.
Pri
 DEFICIT DE PROFESSORES NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO
            A escola pública brasileira necessita    de professores concursados bem remunerados.

Por: Nicolau  Marmo

O Tribunal de Contas da União (TCU), em auditoria especial, nos informa que o Ensino Médio do País necessita de 32,7 mil professores. O deficit está concentrado especialmente nas disciplinas da área de exatas, Matemática, Física e Química. 9 mil é o deficit de professores de Física.
Foram analisados todos os Estados da União com exceção de São Paulo e Roraima, que não aceitaram participar do levantamento de dados.
A auditoria constatou que 30% dos professores de Ensino Médio do País têm contratação precária o que certamente reduz o rendimento escolar.
Caro leitor, a coisa só tende a piorar. Quem quer ser professor de escola pública hoje em dia? Para conseguir o cargo de professor de Ensino Médio de uma escola pública, qual a trajetória que o estudante deve trilhar? Educação Infantil, Fundamental I, Fundamental II, Ensino Médio, eventualmente Cursinho, Faculdade e Concurso. Uma vez aprovado no Concurso, receberá um salário equivalente ao de uma diarista que presta serviços domésticos. Cá entre nós, até a diarista ganha mal neste País.
O governo dispõe de recursos suficientes para a Educação. Com a promessa de dobrá-los dentro de alguns anos. É preciso saber gerir esses recursos.
Para começar bem a gestão, deve valorizar o magistério. Não adianta elaborar planos de Educação sem contar com professores concursados bem remunerados.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Enfim paramos para discutir como são feitos os partos neste País

Meus queridos leitores, boa noite!
O caso em questão causou muita revolta no universo feminino, e obviamente abriu espaço para um tipo de debate que não ocorre com frequência pois o fato é visto como um mero detalhe.
Na hora de dar a luz quem deve decidir sobre como será o parto: A mãe? O médico? O histórico da paciente? Claro que existe casos e casos, mas o que vimos neste especificamente foi um abuso de poder, não entendo por que tantas mulheres que já perderam seus bebês esperando uma autorização de transferência  hospitalar fazendo com que o bebê passe da hora de nascer por exemplo, e não teve seu direito respeitado, não teve a preocupação do médico voltada para ela. Enfim é infindável o numero de casos em que podemos citar onde se ocorreu todo tipo de injustiça  e de repente me pegam uma coitada como bola da vez.
Espero que algo mude depois disso, pois a meu ver se a paciente teve toda a gestação tranquila e saudável, tem todas as condições de ter um parto normal por que não o fazem?
Como mulher e mãe também posso dizer que fui vitima de abuso pois me foi feito um parto cesariana sem necessidade. Meu filho estava pronto pra nascer normal visto que cheguei no hospital com nove dedos de dilatação ou seja faltava muito pouco. Como justificativa  me disseram que ele havia feito coco e que os obriga a agir desta forma, porém por que deixarão que uma situação que tinha tudo pra ser simples e rápida se torna-se o que foi? Uma cesariana sem meu consentimento.
Hoje estou grávida novamente e após seis anos já experiente não vou permitir que façam novamente.
Eu conheço meu corpo e sei que tenho as condições de trazer ao mundo um bebê saudável e pelas vias normais.
Pri
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texto de: Marco Antônio Araújo
De cara, levei um choque quando li a história da mãe que foi obrigada pela Justiça (e policiais) a fazer uma cesariana contra sua vontade. Aos poucos, minha indignação foi atenuada por diversos argumentos que vieram à tona com o debate sobre as responsabilidades e os limites que o Estado deve manter quando vidas estão em jogo.
Pessoalmente, sou daqueles que acha o corpo humano inviolável, tanto para torturadores quanto para médicos. Mas temos leis que consideram crimes tanto o suicídio quanto a eutanásia, isso sem falar no aborto. Lei é lei — e juízes e policiais não estão na sociedade para questioná-la (ao menos durante o horário de expediente).
Do meu ponto de vista intelectual está tudo resolvido. Só não sei se teria a mesma convicção se eu estivesse no lugar do juiz que recebeu o pedido do hospital, que alegava "risco iminente de morte" da mãe e da criança. Os laudos médicos eram aparentemente indiscutíveis, e o tempo era mínimo para se tomar uma decisão.
O que merece destaque nesse caso é algo incomum em nosso País: não houve omissão em nenhuma das etapas que envolveram as instâncias públicas. Para o bem ou para o mal, a médica não lavou as mãos, o hospital deu suporte jurídico, o juiz agiu de pronto, o promotor público estava presente, a polícia cumpriu seu papel. Tudo isso para cuidar de uma anônima e humilde cidadã de Torres, distante quase 200 km da capital Porto Alegre.
Convenhamos, isso não é pouco. Na verdade, é raro. Tudo se complicou porque o sistema de saúde brasileiro, inclusive o privado, tem como prática velada a violência obstétrica em diversos níveis de negligência e crueldade. Parto normal no Brasil é um luxo, quase uma anormalidade. Somos campeões mundiais em cesáreas — um procedimento invasivo, doloroso, potencialmente traumático e que deveria ser reservado para casos excepcionais.
Evidente também que houve excessos nos procedimentos que levaram ao parto forçado. Tudo indica que os profissionais do hospital se exaltaram a ponto de fazerem discursos inadequados contra a parturiente, acusada de estar sendo irresponsável, egoísta e ignorante. Por mais razão que os médicos tivessem, um parto é algo sagrado, a ser feito de forma serena, sem arroubos. Algum perverso sentimento de vitória (ou vingança) tomou conta da equipe médica. Um gesto de responsabilidade ganhou contornos de arrogância, algo bem típico de nossos “doutores”.
Outro aspecto altamente positivo é o debate que se impôs. Se foi um ato de violência ou de responsabilidade, se roubaram o direito ao parto normal ou garantiram a vida da mãe e do bebe, isso nem eu nem você temos condições objetivas de julgar com precisão. O fato a ser comemorado, graças à repercussão, é de que finalmente o País parou para discutir como nascem nossas crianças. Violência obstétrica: você ainda vai falar muito sobre isso.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dois braços decepados, dois crimes, muitos culpados

Estimados leitores(a) antes de tratar do assunto ao qual me fez retornar  a este universo virtual, quero que saibam o quanto sou grata por prestigiarem este humilde espaço.

A manchete em questão nos é  apresentada pela imprensa como mais um caso trivial, porém muito me indignou esta em especial mostrando o que se segue em um repetitivo ritmo de tragédias neste país dominado por políticos corruptos, médicos assassinos e gananciosos, insensíveis a dor alheia.  Se eu fosse expor em palavras toda a minha revolta este post se estenderia demais,por isso finalizo aqui.
E deixo claro que concordo com o ponto de vista do autor ao que se refere ao fato de que Todos Nós somos participes destes acontecimento seja  de forma direta ou não. Quando nos calamos diante dos fatos, quando aceitamos tudo o que é imposto sem questionar assumimos a culpa do que vira depois.
Sendo assim fica a critério de todos os seus encargos de consciência aceitar a indiferença dos governos e autoridades que nos tratam somente como mais um dentre milhões!
Pri
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Texto de: André Forastieri

Manchete de ontem: mulher quebra o braço. Vai para hospital público. O braço gangrena - negligência. Ela morre. Manchete de hoje: mulher tem braço amputado. Foi empurrada da plataforma do metrô por um louco Sobreviveu, está na UTI. Nos dois casos parece crime. Nos dois casos a responsabilidade vai muito além.

Aldinez da Silva, 38, quebrou o braço caindo de moto, em Maceió. Em vez de cirurgia, teve o braço engessado, no Hospital Geral do Estado. O braço apodreceu. A dor era intensa. No hospital, só trocaram seu gesso.
Um médico se ofereceu para operar, mas só se lhe pagassem R$ 3 mil por fora. A família conseguiu arrecadar R$ 2 mil. Nada feito. A infecção tomou corpo de Aldinez. Essa foto registra como estava a mão dela. Como alguém pode ser negar a ajudar uma pessoa que está sofrendo tanto?
mao Dois braços decepados, dois crimes, muitos culpados
Maria da Conceição foi empurrada da plataforma. Por um louco, parece; cometeu o crime e saiu sorrindo. Do jeito que é o Metrô em São Paulo, o incrível é que não aconteça uma dessa a cada hora. Terça passada eu estava no metrô Barra Funda, cinco e meia da tarde. Plataforma lotada e lotando cada vez mais. Ninguém respeita a linha amarela de segurança.
Empurra empurra. Quase que cai nos trilhos um gordão espaçoso, que estava bem na pontinha. Todo dia é isso. Pela única foto disponível, Maria da Conceição é bem bonita. Completou 28 anos ontem. Trabalhava no dia que perdeu o braço. Que judiação.
Se tivesse seguro saúde, Aldinez estaria hoje em casa, curtindo os cinco filhos.
Se estivesse dirigindo, Maria da Conceição não teria perdido o braço, no dia que completou 28 anos.
É uma maneira de colocar as coisas. É a única maneira que o Brasil nos
oferece: correr atrás dinheiro, ao custo que seja, para tentar escapar da vala comum.
Há uma maneira melhor de viver. Começa reconhecendo que os dois casos têm os mesmos responsáveis: o poder público. O Brasil. No limite: nós.
Se o atendimento da saúde pública fosse digno, Aldinez estaria viva.
Se o transporte público fosse digno, Conceição estaria inteira.
Porque não é? Porque aceitamos que seja assim.
Criminosos e loucos e negligentes sempre existirão. Mas criamos um ambiente propício para a desgraça. Nenhuma surpresa que todo dia seja esse inferno.
Anos atrás, o senador Cristovam Buarque propôs que criássemos uma nova
lei: todo filho de político e funcionário público seria obrigado a estudar em escolas públicas.
É o único jeito de garantir que os poderosos vão destinar recursos para o ensino público, explicou. Claro que ele sabia que uma lei como essa jamais seria aprovada pelo próprio Congresso. Era marketing, provocação, ou os dois.
Pois é a única lei que precisa ser aprovada no Brasil. E não só pra educação. Para tudo. Só no dia que os gestores públicos tratarem seus acidentes no SUS, e forem para o trabalho de metrô e ônibus e trem, teremos o saúde e transporte que todos merecemos. Se é para ir para o pau nas praças, é uma causa bem melhor que tentar cancelar a Copa.
Enquanto não mudamos o Brasil, cabe assumirmos, a cada dia, a culpa por uma nova manchete, mais uma Aldinez, outra Conceição.
Pode ser crime do médico negligente, do louco que empurrou.
É responsabilidade de todos nós.




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ensinar os filhos em casa ganha força no Brasil e gera polêmica

Estimados leitores,o assunto em questão já passou por aqui e certamente sou franca em dizer que concordo plenamente com a ideia dos pais em questão.
Por outro lado reafirmo que respeito a opinião de todos, este blog de forma alguma tem o interesse em ditar o que é certo ou errado, cada pai e mãe é responsável pelo seu filho e sendo assim decide o que melhor lhe convém. Ok
Vamos ao artigo e sintam-se a vontade para expor seu ponto vista.
Pri :-)
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Uma nova batalha vem sendo travada dentro e especialmente fora das salas de aula do Brasil. A polêmica gira em torno da chamada educação domiciliar, em que famílias optam por ensinar seus filhos na própria casa e não na escola.

De um lado da trincheira estão pais que defendem o direito de eles próprios - e não o Estado - decidirem como e onde os filhos serão educados. Ao se dizerem insatisfeitos com o sistema educacional do país, eles mostram aprovações dos filhos em exames como o Enem para corroborar a eficácia da educação domiciliar.
No outro lado da disputa estão o governo e alguns juristas alegando que tirar uma criança da escola é ilegal, além de alguns educadores, que criticam a proposta, especialmente com argumento de que essa prática colocaria as crianças em uma bolha.

Mais sedimentado em países como os Estados Unidos, o homeschooling (como também é conhecido pela expressão em inglês) vem ganhando fôlego no Brasil. Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), há mil famílias associadas no grupo. Mas Ricardo Iene, cofundador do órgão, calcula que, pela quantidade de e-mails que recebe, sejam mais de 2 mil famílias educando seus filhos em casa no Brasil.

Clique Leia mais: Educação domiciliar cresce nos EUA

O movimento também está conquistando espaço na esfera política. No próximo dia 12, haverá uma audiência pública em Brasília para discutir o tema, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Na pauta, estará também o Projeto de Lei (PL) do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que autoriza o ensino domiciliar.

Advogados da Aned veem na própria Constituição brechas que defendem o direito da família de educar seus filhos (veja box), mas a associação acredita que uma lei específica daria mais segurança aos pais que optam por esta modalidade de ensino.

Por que em casa?

"Quando meu filho tinha 7 anos, um garoto da escola, que tinha 10 anos, batia nele e o perseguia por causa do nosso sotaque baiano", conta Ricardo Iene, cofundador da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), que é natural da Bahia, mas mora em Belo Horizonte (MG) há cinco anos. "Também havia um garoto que ficava assediando milha filha."

Ricardo tirou os filhos Guilherme e Lorena da escola por estarem sofrendo bullying
"Fui várias vezes na escola, reclamar, conversar, tentar resolver esses problemas. Mas nunca adiantou."
O bullying foi um dos motivos que, há três anos, influenciou Ricardo a tirar da escola, Guilherme, de 13 anos, e Lorena, de 15 anos. Mas certamente não foi a única motivação. Tanto para o publicitário que vive em BH como para outros pais ouvidos pela BBC, é sempre um conjunto de fatores que o impulsionam a tomar essa decisão.
Mas um deles parece estar sempre presente: o desejo de estar mais envolvidos e presentes na criação dos filhos.
Clique Leia mais: Mães relatam rotina de ensino domiciliar em apartamento de SP
"Vemos crianças hoje em dia que entram na escola às 7 da manhã e ficam até bem depois das 17h ou 18h, porque elas ficam fazem balé, natação e várias outras atividades. Além da agenda cheia como a de um adulto dessas crianças, mal sobra tempo para o convívio familiar", diz M.L.C, mãe de 4 filhos, todos em homeschool, que não quis se identificar por temor de ser denunciada.

Limbo jurídico

Se, no campo da educação, há uma disputa de argumentos pró e contra o homeschool, na campo jurídico ela é ainda mais acirrada.
O governo afirma que a prática é ilegal. Consultado pela BBC, o Ministério da Educação respondeu: "O MEC entende que a proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a LBD (Lei de Diretrizes Básicas) e a própria Constituição Federal."
De acordo com a LDB, "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos." O ECA afirma que "pais e responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino". E o artigo 246 do Código Penal traz detalhes do que chama de abandono e intelectual, para os casos de quem deixa de prover instrução.
No entanto, advogados de famílias que praticam educação domiciliar citam interpretações na lei e lacunas jurídicas que, segundo eles, tiram a prática da ilegalidade.
"Segundo a Constituição, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família", diz Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned. "Então, o que está na Constituição se sobrepõe sobre o ECA e a LDB. Portanto, se os pais têm o dever de prover educação, têm soberania e liberdade para poderem escolher entre delegar a instrução para uma escola ou eles próprios se incumbirem disso."
Esse limbo jurídico também é reforçado por exames como o Encceja (Ensino Fundamental) e o Enem (Ensino Médio), que certifica alunos que completarem um determinada pontuação mesmo se não apresentarem diplomas das escolas. Algo que, para Alexandre, seria um aval para a educação domiciliar.
Ricardo também sentia falta do envolvimento de outros pais quando frequentava as reuniões na escola dos filhos, tanto das instituições públicas como das particulares. "Muitos pais nem participavam. E aí, ficava ainda mais difícil melhorar a situação da escola."
Outro ponto que impulsionou o publicitário e outras famílias a optarem pelo homeschool é o fato de não concordarem com alguns valores morais passados na escola. Ricardo diz que ele e outros associados da Aned costumam se incomodar especialmente com a abordagem de temas como sexo e homossexualidade.

Vivendo em uma bolha?

Mas se do lado dos pais praticantes da educação domiciliar só se ouve elogios do tipo "agora meu filho aprende e não apenas decora", do lado dos educadores, o que se vem são dúvidas e críticas. Muitas críticas.
"Se os pais estão insatisfeitos com a escola, há muitas outras alternativas antes de se colocar o filho em uma bolha", afirma a educadora Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação e outras disciplinas da Faculdade de Educação da USP.
"Além do mais, qual a lição subliminar que se está passando ao filho ao tirá-lo da escola? Certamente algo como, diante de um problema, basta resolver apenas a minha parte, salvar a própria pele, e o resto que se dane."
Para a educadora, os pais também erram ao acreditarem que com educação domiciliar estão protegendo seus filhos, por estarem em um ambiente amigável, sem bullying, sem competição. "Infelizmente, a vida não é assim. Mais cedo ou mais tarde, essa criança vai se deparar com a realidade. Vai começar em um emprego, por exemplo, onde há competição, bullying, tudo isso."
Silvia também cita a importância da escola não apenas pelo conteúdo, mas também pela convivência que se tem com outras pessoas e o aprendizado que se tem com isso, seja na hora de se aprender a lidar com o outro, de aprender com os colegas, comparar seus trabalhos e até mesmo de lidar com brigas e desentendimentos. "Toda essa vivência é tão importante quanto português, matemática ou história", diz a educadora.
Os homeschoolers, no entanto, dizem que as crianças não vivem em uma bolha e têm essa convivência ao encontrarem amigos no clube, na praça, na igreja ou na casa deles e ao frequentarem atividades, como natação, fotografia e judô.
"Acho contraditório", afirma a educadora. "Se o problema é a perseguição na escola, não tem bullying na aula de natação?"

'Luta de todos'

A educadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta um outro problema na prática da educação domiciliar no Brasil de hoje: a falta de fiscalização do Estado. Algo que foi reforçado durante a pesquisa para seu pós-doutorado, sobre o homeschooling e suas implicações hoje tanto no Brasil como em Portugal.
"Diferentemente dos portugueses, que já conseguiram colocar todas as suas crianças na escola, nós ainda estamos caminhando para isso. Então, no momento, seria difícil conciliar sistemas diferentes de educação", diz.
"Como o governo conseguiria fiscalizar as crianças em educação domiciliar se ainda não faz isso de maneira satisfatória nem com as próprias escolas públicas?" Segundo ela, em Portugal, as crianças em homeschools são registradas nós órgãos regionais e as autoridades fazem um acompanhamento da educação delas.
Ela vê aspectos positivos no método, como ensinamentos passados não apenas em salas de aula, mas também em locais como museus e planetários. E acredita que escolha dos pais em relação à educação dos filhos seja algo inevitável no futuro, quando o Brasil atingir suas metas educacionais.
Enquanto isso, Silvia, a educadora da USP, também defende que essa opção é prejudicial ao projeto de educação do país como um todo.
"É claro que a ensino no Brasil ainda está bem aquém do esperado, mas é preciso se ter uma frente de luta e não de alienação. E essa luta não é só do Estado, mas também das escolas, dos pais, dos professores e de toda a sociedade."


Fonte: bbcbrasil

domingo, 3 de novembro de 2013

Unicamp cria método que analisa danos dos xampus aos cabelos


 Metodologia para medir os danos causados aos cabelos por substâncias presentes em produtos é criada na Unicamp e pode ajudar a indústria a melhorar processo de fabricação


Vaidade em excesso também pode danificar os cabelos

Metodologia consiste em expor mechas de cabelo em frascos contendo cada tensoativo por 96 horas



A maioria das mulheres e, no contexto atual da sociedade, homens também, preocupam-se consideravelmente com os cabelos. Para manter o visual aprumado, as madeixas são tratadas à base de diversos produtos químicos que, se não usados com parcimônia, podem prejudicar em demasia os fios no futuro. Pensando numa cabeleira saudável, o químico Rafael Pires de Oliveira desenvolveu uma metodologia que calcula os danos causados por substâncias tensoativas presentes em fórmulas de variados cosméticos, especialmente xampus, dos mais baratos aos de marcas luxuosas.

A dissertação de mestrado do pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob o título "Degradação de cabelo causada por tensoativos: quantificação por meio da análise das soluções de lavagem por espectrofotometria UV-VIS", avalia os surfactantes, moléculas que têm atividade detergente, responsáveis pela limpeza dos cabelos, e o seu poder em provocar perda de proteínas e de melanina, substâncias de grande importância para a manutenção dos fios, que são fibra natural composta de quatro principais camadas diretamente atingidas por substâncias danosas. Cutícula e córtex são as áreas mais afetadas. A primeira é a parte mais externa do fio, enquanto a segunda reúne macrofibrilas de queratina – proteína fibrosa composta por aminoácidos.
Rafael Oliveira pegou mechas de cabelos embebeu-as em soluções de tensoativos e usou sistema de lavagem por espectrofotometria

A principal motivação para o estudo foi um pedido de uma indústria específica da área. "Uma empresa do setor de cuidados pessoais nos procurou para saber se era possível desenvolver uma metodologia mais prática para quantificar e comparar os danos aos cabelos gerados em longo prazo pelo uso de xampus com diferentes tensoativos", comenta Rafael Oliveira. Ele já havia realizado trabalhos de pesquisa com os fios, e aceitou o desafio de se aprofundar no tema. "Meu estudo visou analisar e quantificar os danos gerados por diferentes substâncias tensoativas usadas em xampus", diz.

O químico analisou 16 surfactantes. Sua metodologia consistiu em expor mechas de cabelo em frascos contendo cada um dos tensoativos por 96 horas. Ao final desse período, o cientista observou o líquido de cada um dos frascos utilizando um espectrofotômetro – aparelho que é capaz de quantificar substâncias de acordo com a absorção de luz característica das mesmas. A partir de tal leitura foi possível ter noção da extensão dos danos aos cabelos provocados pelos tensoativos.

"Para quantificar o grau de degradação de um tensoativo, uma amostra de cabelo castanho escuro foi colocada em contato com uma solução do tensoativo e deixada por um longo tempo a 38°C, que é a temperatura média da água do banho", diz o pesquisador. Contudo, Oliveira ressalta que o tempo prolongado de contato dos cabelos com os surfactantes procurou igualar-se a um resultado cumulativo, que extrapolasse os efeitos dos tensoativos na fibra capilar. Para detectar o quão degradante era a ação de cada substância, partiu-se da medida quantitativa de cor na solução do tensoativo no qual o cabelo estava em contato.

Nos resultados, Rafael observou que "os tensoativos que mais agridem os cabelos são os aniônicos, entre eles o lauril éter sulfato de sódio, que está presente na maioria das formulações de xampu do mercado, independentemente do valor do produto". A pesquisa concluiu que todos os surfactantes causam danos aos cabelos (uns mais e outros menos), provocando ressecamento dos fios e tornando-os mais quebradiços, principalmente nas pontas. "Como esperado, tanto os tensoativos quanto a água causam degradação da fibra capilar, desde a remoção de fragmentos de cutícula até a extração de melanina do córtex e de material proteico", explica.

Em suas observações, o pesquisador notou um grau de degradação da fibra capilar que varia de acordo com o índice HLB dos tensoativos. "Esse índice, chamado balança hidrófilo-lipófilo (HLB), está presente em tensoativos aniônicos, que extraem em maior quantidade ou mais rapidamente as substâncias do cabelo (sujidades, gordura, poeira etc.). Já os tensoativos anfotéricos, que têm menor força detergente, degradam menos os fios", acrescenta.

Os tensoativos não iônicos, segundo Rafael Oliveira, podem atingir o cabelo na mesma intensidade, ou ainda menor, que a água. Mas são usados, geralmente, como agentes de consistência, normalmente usado em condicionadores capilares e cremes diversos.
Os tensoativos que mais agridem os cabelos são os aniônicos, entre eles o lauril éter sulfato de sódio, que está presente na maioria das formulações de xampu do mercado, independentemente do valor do produto

Tensoativos
Sendo assim, segundo Oliveira, a indústria poderá escolher os tensoativos menos danosos. "O método que desenvolvi pode ser incorporado às práticas de pesquisa dentro das empresas, possibilitando a avaliação e quantificação de danos que as substâncias tensoativos causam nos cabelos", frisa. Ademais, surfactantes menos nocivos podem ser incluídos na formulação dos xampus, que não necessitarão de tamanha quantidade de componentes condicionadores, "que conferem o aspecto dito saudável do cabelo".

Oliveira comenta que a indústria faz constantes estudos sobre a utilização de várias fórmulas em seus produtos. No entanto, como não há a publicação em periódicos científicos, na maioria das vezes não ocorre a validação das pesquisas por outros cientistas. "Em geral, as indústrias do setor cosmético requerem patentes das formulações para proteger as suas pesquisas em vez de publicá-las. Além disso, poucas empresas desse setor têm laboratórios de pesquisa científica alocados no Brasil", afirma. Segundo o pesquisador, o desenvolvimento científico advém de laboratórios localizados nos Estados Unidos e na Europa, onde se encontram as matrizes das multinacionais.

Quanto à segurança, Rafael Oliveira garante que as indústrias não usam quaisquer componentes que sejam prejudiciais à saúde dos usuários e seguem as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar de causarem danos aos cabelos, os tensoativos utilizados são seguros à saúde, conforme as orientações da Anvisa. "Um bom xampu é aquele que melhora o aspecto dos cabelos do consumidor", exalta o pesquisador da Unicamp.

















































quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Todo mundo sabia, menos o Kassab

Ora ora,já não basta sabermos de toda a ladroagem que diariamente faz parte da rotina dos nossos Políticos e etc,agora nos deparamos com mais este fato que nos deixa indignados com tamanha falta de vergonha na cara dessa turma de mentirosos e aproveitadores. O texto é do Marco Antonio Araújo, e reflete bem meu ponto de vista quanto ao assunto em questão.
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 Todo mundo sabia, menos o Kassab
 Por: Marco Antonio Araujo

Quem procura acha. E encontrar funcionários corruptos na prefeitura de São Paulo é bem mais fácil do que aumentar o IPTU.  Isso ficou provado com a divulgação do esquema milionário de corrupção na administração municipal. É aterrador perceber a facilidade com que a cúpula da Secretaria de Finanças da gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) permitiu que fosse desviado dos cofres públicos um valor que pode chegar a R$ 500 milhões.

Se somarmos esse escândalo ao famoso esquema (já desbaratado pelo Ministério Público) que, mediante comprovadas propinas, embolsou outros milhões de reais por meio da emissão ilegal de alvarás para obras em shoppings, podemos afirmar que o ex-prefeito entrará para a história da cidade como aquele que permitiu operar o maior esquema de ladroagem de que já tivemos notícia.
Kassab, evidentemente, diz que nada sabia.

 Se não estiver mentindo, nos sobra desconfiar que o ex-prefeito estava cercado de auxiliares desonestos — e não percebeu, coitado. Mesmo que tudo tenha acontecido bem debaixo do seu nariz. Descuidado, ele, não? Ingênuo, displicente, desatento, burro? Os adjetivos só pioram, quanto mais pensamos na facilidade com que, em pouco tempo, a atual administração encaminhou as investigações, documentou as falcatruas, identificou alguns dos ladrões e abriu inquérito para reaver o dinheiro e colocar esse bando na cadeia.

E olha que Haddad não promoveu nenhuma devassa. Apenas permitiu que a Controladoria do município fizesse seu trabalho, em operação conjunta com o Ministério Público. Mais de 100 empreendimentos na cidade de São Paulo serão averiguados nos próximos meses. Dá pra imaginar o tamanho da caixa-preta que estão abrindo.

Todos sabem que São Paulo é governada por máfias poderosíssimas: dos ônibus, do lixo, da especulação imobiliária, das empreiteiras, dos fiscais, entre outras. Todos sabem. Menos o ex-prefeito Gilberto Kassab. Coitado.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Nara Leão - O Barquinho

Dia de luz, festa de sol E o barquinho a deslizar No macio azul do mar Tudo é verão, o amor se faz No barquinho pelo mar Que desliza sem parar Sem intenção, nossa canção Vai saindo desse mar E o sol Beija o barco e luz Dias tão azuis Volta do mar, desmaia o sol E o barquinho a deslizar E a vontade de cantar Céu tão azul, ilhas do sul E o barquinho, coração Deslizando na canção Tudo isso é paz Tudo isso traz Uma calma de verão E então O barquinho vai E a tardinha cai

domingo, 27 de outubro de 2013

Após diagnóstico errado de bipolaridade, Cássia Kis tenta largar remédios

Estimados Leitores, após uma pausa aqui estou novamente. Por mais que eu queira não consigo afasta-me completamente deste mundo virtual a sede de informações  não me permite largar de mão tudo isso. Sei que este é apenas mais um blog em meio a tantos outros,mas ainda assim vou adiante.
Mais uma vez meu muito Obrigado a todos vocês que diariamente passam por aqui!

A postagem a seguir é sobre uma atriz muito conhecida pra quem sempre acompanha as novelas brasileiras. Em recente entrevista ela relata a luta que está tentando para conseguir largar os remédios que lhe foram receitados em um diagnóstico errado. Ao termino da leitura a única pergunta que me veio a mente foi: Quantos casos assim existe. Tenho certeza que você meu caro leitor(a) também conhece alguém ou tem no seu seio familiar alguém que passa por este mesmo problema.
E só pra constar eu também tenho um membro na família que levou quase cinco anos pra se livrar de um remédio e olha posso afirmar que é desesperador,os efeitos colaterais deixam a pessoa pior do que a própria doença.
É isso o que as industrias farmacêuticas em associação com os médicos fazem, te deixam dependente e lucram com o seu sofrimento. E ainda dizem que eu sou doida,rsrsrsrsr.
Boa Leitura!
Pri
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Após diagnóstico errado de bipolaridade, Cássia Kis tenta largar remédios

Há oito anos, no consultório de um psiquiatra, foi diagnosticada com transtorno bipolar. Começou a tomar três remédios. "Um que te nocauteia, te faz dormir 15 horas por dia; um que te levanta um pouquinho. E outro que te faz sorrir. Daí, lógico que eu melhorei. Você vira um pássaro, só falta voar."
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Ao assumir publicamente a bipolaridade, começou a receber convites para estrelar campanhas publicitárias. "Fui convidada por entidades de psiquiatria e fabricantes de remédios. Eu sacaneei. Pedi R$ 3 milhões. As farmácias são trilhardárias. Se eu for vender isso, vão ganhar R$ 200 milhões. Essa indústria é f.. O medicamento que eu tomo é caríssimo."
*
Virou referência, uma espécie de confessionário para os bipolares que queriam dividir suas experiências. "Eu via as pessoas que se aproximavam de mim e pensava: eu sou assim? Não, eu não sou!" Cinco anos depois de conviver com a ideia de que tinha o transtorno, procurou outro psiquiatra. Que garantiu: ela não era bipolar. Não precisava de medicação controlada.
*
"Tive um diagnóstico errado, feio. Os médicos fazem uma cirurgia falando da 'trepada' que deram no dia anterior, que 'comeram' a enfermeira. Esquecem espuma, instrumento dentro de você, porque ficam voando. É muito grave eu sair de uma consulta com três receitas. Quem vai pagar o dano? São bulas enormes, dobradas em mil."
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A atriz está agora escrevendo uma autobiografia. Nela, relatará as consequências do equívoco médico.
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Ainda hoje tenta se livrar de remédios. A meditação é a aliada sugerida pela atual psiquiatra, que a auxilia a diminuir as doses de medicação. "Sentando a bunda meia hora de manhã e à noite, tiro qualquer remédio barra pesada. Meditação cura tudo."
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No ano passado, outra crise: dez dias antes do início das gravações, ela desistiu de interpretar a enfermeira Ordália, de "Amor à Vida", papel que Eliane Giardini acabou assumindo. "Eu não tinha condição emocional, não podia trabalhar naquele momento. Meu único caminho foi me recolher."
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As informações de que teve desentendimentos com o autor da trama, Walcyr Carrasco, e a atriz Susana Vieira são falsas, diz. "Sou funcionária da Globo. Se me chamarem para assobiar e chupar cana, eu vou. Mas, pela primeira vez em 30 anos, senti que não ia dar conta. Uma hora ia dar uma m.. Era melhor sair antes de começar."
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Cássia guarda as minúcias para o livro, que planeja lançar até 2015. "Não vou te contar tudo, tá louca? Eu quero é vender biografia."
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Num passeio em uma livraria, comprou "As Quatro Nobres Verdades do Budismo" e deu de presente para a repórter. "Meu marido [o psicanalista João Magro], que é o salvador da pátria, me deu esse livro. Foi a minha luz."
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Adotou dieta saudável quando percebeu, aos 15 anos, que arroz integral colocava seu intestino em pleno funcionamento. Já testou dietas e jejuns e hoje acredita na cura pela alimentação. Mas sem radicalizar. Até comeu pão no almoço, por exemplo.
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Nunca fez plástica. "Você vai tirar pelanca do olho. Quem te garante que não vai ficar de olho aberto, sem fechar nunca mais? Prefiro rugas do que a orelha fora do lugar. Por que não se discute isso? Porque tudo é mercado."
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Interpretou Maria, mãe de Jesus, na Jornada Mundial da Juventude. "Foi uma polêmica do cão, os jovens me perguntavam: 'Você é católica?', 'Quem é você para viver Maria?'. Acabei me considerando muito mais católica que muita gente que tava ali."
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Cássia Kis, 55, interrompeu uma gravidez aos 30 anos. Hoje, integra o movimento católico Pró-Vida, radicalmente contra a descriminalização do aborto. "Carrego não uma culpa, mas a história de uma vida que eu tirei. Sou dona do meu destino, mas não posso ser dona do destino de outro ser." Participa de passeatas ao lado de Elba Ramalho.
*
Mãe de quatro filhos --de 9, 11, 16 e 18 anos-- de dois casamentos anteriores, faz questão de reunir todos à mesa para o jantar. "Cuidar talvez seja a palavra mais importante da minha vida. Aprendi sobretudo depois de me casar com o João. Ele pegou esse verbo e fez assim, ó [como se marca gado], na minha pele."
*
"Se existe uma guerra de verdade, é dentro da família. Filho matando mãe, mãe matando filho. É a historia da humanidade", afirma, ao falar dos projetos profissionais para os próximos anos, todos sobre dilemas familiares. Em março, estreia a peça "Deus Salve a Rainha", no Rio. E, no ano que vem, atuará no longa "Juliano Pavollini", dirigido por Caio Blat.
*
Uma vez por semana, os filhos dormem em seu quarto. "Todo mundo puxa o colchão, parece um acampamento." O caçula, que mamou até os quatro anos, ainda tem mimo especial: é levado até lá no colo de Cássia.
*
Está levando a mãe, Piedade, com quem deixou de conviver aos 15, quando saiu de casa, para morar com ela. "Fiz uma suíte com tanto amor. Moro numa casa bárbara, em frente à praia." Preparou o 
cenário e vislumbra as melhores cenas. "Ela vai ter os netos por perto. Vou poder dizer pra meus filhos: 'Maria, vá dar o 'remedinho' pra sua avó'; 'Joaquim, prepara o mingau dela'."

Fonte: FOLHA

sábado, 28 de setembro de 2013

O culto da incultura

Escrito por Cesar Alberto Ranquetat Júnior

 
Maman”, escultura da artista plástica Louise Bourgeois, feita em bronze e instalada na parte exterior do Museu Guggenheim Bilbao, na cidade de Bilbao, Espanha.


 Bárbaros intramuros… É mister apontá-los, e apontá-los até dentro de nós, porque em nossos momentos de fraqueza e desfalecimento somos bárbaros também. (Mário Ferreira dos Santos – A invasão vertical dos bárbaros).
 
Para além dos problemas sociais, econômicos e políticos que assolam a sociedade brasileira, talvez o mais grave seja a extrema e terrificante degradação cultural que impera nos mais diversos âmbitos da vida coletiva. É ela que está na raiz de nossas patologias e de nossa desordem social e política. Presenciamos o total aniquilamento da alta cultura. Dissemina-se por toda parte uma falsa cultura massificada, superficial, mero entretenimento e diversão que não eleva o espírito humano.

Somos bombardeados diariamente por programas televisivos mórbidos e vulgares, por músicas de péssima qualidade, assim como por revistas e jornais que estimulam, por meio de suas notícias e reportagens, os aspectos mais baixos, e perversos da existência. Além disso, no ambiente dito intelectual pululam as análises sociais e políticas superficiais, rasteiras e por demais ideologizadas. Pseudo-intelectuais, “filodoxos”, perdem-se no vício do abstratismo e do pedantismo, incapazes, assim, de examinar e compreender com clareza e objetividade a realidade de nosso tempo. Prolifera uma subliteratura marcada pela exploração de temáticas insípidas, medíocres, que exprime unicamente as dimensões mais abjetas e vis da personalidade humana.  No cinema e nas artes plásticas exalta-se o feio, o bizarro, o disforme e o grotesco.

Há algumas décadas, tínhamos nas ciências humanas e sociais intelectuais de peso como Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda. Na filosofia, Miguel Reale, Vicente Ferreira da Silva, Mário Ferreira dos Santos e Henrique de Lima Vaz. Na literatura Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e tantos outros. Na poesia, Manuel Bandeira, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade. No cinema, Glauber Rocha. Poderia citar aqui muitos outros artistas e pensadores de vulto. O fato é que hoje nossa cultura está esvaziada, empobrecida  e doente. Quem são atualmente nossos grandes escritores, intelectuais, poetas, cantores e artistas? Onde encontram-se os romancistas e artistas capazes de exprimir por meio da linguagem poética e ficcional o que há de belo e nobre na vida humana?

A cultura não é um ornamento, um mero adorno estético, a “cereja do bolo”, mas é ela a alma de uma sociedade, a bússola que orienta a vida dos indivíduos e das coletividades. Conforme a lição do filósofo Ortega y Gasset, a cultura é o plano da vida, o guia de caminhos pela selva da existência. É o conjunto de idéias, crenças e valores que salva do naufrágio vital, permitindo o homem viver sem que sua vida seja uma tragédia sem sentido. Uma sociedade ou um indivíduo inculto não vive uma vida plenamente humana, não vive uma vida significativa, apenas sobrevive satisfazendo suas necessidades físicas básicas. 

É a cultura que dá à vida individual e coletiva um sentido mais elevado, possibilitando que, não obstante nossas limitações, tenhamos acesso ao mundo das idéias, dos valores, das tradições e dos símbolos de conteúdo universal e supra-temporal.

Ora, é a cultura que refina a sensibilidade e a nossa visão do mundo, aperfeiçoa a mente e a imaginação, emancipando o homem do imediatismo. O homem dotado de cultura distancia-se do provincianismo, alça vôos mais altos, transcende os pontos de vista de seu tempo e de sua época. Entra em contato com um complexo de idéias perenes e imorredouras, com as “coisas permanentes” como asseverava o poeta e crítico literário T. S. Eliot. Conhecimentos permanentes que não são elucubração estéril, mas tesouros intelectuais que enriquecem e estruturam a personalidade humana, dando a ela maior amplitude, profundidade e densidade.

Precisamos nos libertar do culto da incultura, da valorização da fealdade, da exaltação do lado sombrio, irracional, mesquinho e sórdido da existência que vem devastando a sociedade brasileira. Caso não realizemos a indispensável e iminente tarefa de soerguimento cultural de nossa nação, condenaremos as próximas gerações à barbárie, a viver uma vida de zumbis, estupidificados e lobotomizados em decorrência de um ambiente social hostil à beleza e à verdade.